INCONSEQUENTE – CAPÍTULO 2


“Sempre quis achar o homem da minha vida. Casar e ter filhos com ele. Tive poucos namorados, mas acho que Paulo é o homem certo, minha alma gêmea”.
Jéssica

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– Tá pronta a salada minha filha? – grita dona Judite.

– Tá quase mãe, tá quase – responde Jéssica.

Jéssica é, o que se pode dizer, uma “guria bem prendada”. Culpa da aniversariante do dia, a vó Nena, que sempre achou que lugar de mulher é cuidando do marido. Ela ensinou todas as rotinas da casa para as três irmãs. Joseane, a mais velha, seguiu à risca. Não chegou a completar a faculdade de letras, pois casou e engravidou de Augusto, dono de uma tabacaria. Já a menor, Janaína, tinha 17 anos e recém começava a seguir os passos de Jéssica. Começou a faculdade de arquitetura e já fazia estágio junto com a irmã.

A buzina toca duas vezes.

– Pai, é o Paulo, abre prá ele – grita Jéssica.

Seu Aderaldo abre e cumprimenta Paulo, que coloca o carro para dentro. Paulo, apesar do tempo de noivado, não contava com a simátia completa de Aderaldo. Mas dona Judite dizia que era coisa de pai, que não gostava de suas filhas com outros homens. COm Augusto e Joseane também tinha sido assim.

– Oi meu amor! – Paulo beija Jéssica – trouxe um presente para a vó Nena.

– Ela tá lá no pátio, o que é? – pergunta Jéssica em tom de curiosidade extrema.

– É só um colar, simples mas bonitinho.

– Ah, ela adora essas coisas – fala Jéssica, mesmo sabendo que a vó Nena não usava mais essas coisas.

Paulo pega uma cerveja e encontra Augusto.

– E aí, como vão as vendas Augusto?

– Vão bem, mas podia ser melhor sempre.

– Mas aquele ponto que está a tabacaria é bom?

– É que era do meu pai, e sempre foi ali.

– Mas sabe como é, densidade demográfica, a cidade cresce. Hoje em dia existem shoppings por perto ali…

– É, mas é o ponto do meu pai, não posso mudar o local – explica Augusto – quem sabe não me ajuda a fazer uma propaganda? – complementa.

– Talvez, talvez… Peraí que eu tenho que falar uma coisa com a Jéssica, com licença – retira-se Paulo, pensando na ignorância do cunhado. “Como ele pode me fazer uma proposta dessa, eu custo caro, olha meu gabarito”.

Todos à mesa e seu Aderaldo pede a palavra.

– Pessoal, um momento de todos. Hoje aqui celebramos o aniversário da dona Nena, mas queria aproveitar a oportunidade para fazer uma surpresa. Jéssica, por favor, venha aqui comigo.

Jéssica, espantada, olha para todos e sorri, logo chega perto do pai.

– Minha filha. Esses são os papéis de uma casa nova. Sei que logo tu e o Paulo devem se casar. Se dei uma casa para a Josi, tu também mereces uma.

Jéssica arregala os olhos e se emociona. Logos todos aplaudem.

– Ah pai, não precisava!

– Minha filha, tu e tuas irmãs são minha vida, vocês vão ficar com meu dinheiro.

Nesse momento Augusto dá um tapinha no ombro de Paulo.

– Aí, se deu bem hein?

– É, é… fala meio sem jeito Paulo.

Acabado o jantar, Paulo se despede. Jéssica leva ele até o carro.

– Amor, que maravilha. O que achou?

– Muito bom meu amor, muito bom… – fala Paulo, sabendo que andará amarrado ao sogro depois dessa.

– Boa noite amor. Confirmada a nossa saída com a Fabi e o Alê amanhã?

– Sim, vamos jantar com eles.

Os dois se beijam e Paulo vai embora.

Paulo chega em casa e vai conferir seus e-mails pessoais. Liga a TV e pega uma cerveja. Olhando os e-mails, vê um estranho, de uma tal de Flávia, que deixou um recado no seu Orkut.

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