INCONSEQUENTE – CAPÍTULO 1


“Eu não entro para perder. Quem é ambicioso não entra para perder. Eu só quero ganhar, na vida pessoal e na vida profissional”.
Paulo

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– Acredito que uma campanha como esta vai vingar. Poderemos atrair um grande público para o produto. Este é um público que adora essas novidades – diz Paulo.

– Será, fico meio com um pé atrás com essas novidades – retruca Fonseca.

– Vai por mim. Aquela vez eu não estava certo? Olha o lucro que tivemos – responde Paulo.

– Bem… Se deu certo uma vez, vamos de novo – contenta-se Fonseca.

Paulo é um publicitário ambicioso e criativo. Suas idéias inovadoras sempre renderam bons frutos. Desde a sua chegada, a agência de Fonseca começou a ter um lucro dobrado a cada ano que passa. Paulo estudou muito na vida. Vindo de uma família de classe média que havia se perdido em crises na época dos planos econômicos de Sarney, sempre estudou em escola pública. Mas nunca foi acomodado na vida, sempre queria ser o primeiro.

Com o tempo veio a paixão pela publicidade. Foi o inventor de uma agência dentro do colégio. Fazia sucesso. Logo passou no vestibular para publicidade em uma faculdade particular. Mesmo com algum preconceito de colegas abastados, sempre se destacou. Conseguiu estágio na agência experimental da universidade e foi laureado ao final do curso. Depois de bater perna em pequenas agências, recebeu uma chance na falida agência de Fonseca, no qual ajudou a reerguer. Comenta-se nos corredores que Paulo pode ganhar uma parte da sociedade.

– Cara! Desse jeito tu vais garantir minha participação nos lucros de novo – comenta Renan, colega da equipe de Paulo.

– Não é fácil, não é fácil – diz Paulo, enquanto chama o elevador.

– E aí, o velho já te disse algo sobre ser sócio? – pergunta Renan.

– Nada, mas logo ele se rende ao meu talento.

Mesmo com talento, Paulo passava um ar de arrogância. Isto minou o início da sua carreira. Seu ímpeto era tão grande que as vezes queria derrubar alguns medalhões dos lugares em que trabalhava. Mas, sem experiência, acabava o efeito sendo contrário.

– E aí, vamos almoçar? – convida Renan.

– Se tu pagares a conta.

– Tá, pago. Só porque estás garantindo meu dinheiro no bolso. E hoje, vamos jogar futebol à noite?

– Não posso, tenho um aniversário na casa da Jéssica. A vó dela está fazendo 90 anos. Imagina só se eu falto, perco a noiva.

Um dos maiores tesouros de Paulo era a sua noiva, Jéssica. Filha do meio do seu Aderaldo e de Dona Judite, sempre teve muito dinheiro. Formou-se arquiteta e logo ganhou um escritório do pai, engenheiro. Com a facilidade de contatos, seu Aderaldo logo conseguiu diversos clientes para Jéssica. Mas, mesmo com dinheiro, ainda morava com os pais. Estava aguardando a liberdade para quando casasse com Paulo.

Ele toma um ônibus naquele dia, pois seu carro estava na oficina. Só o pegaria no fim da tarde. Dia quente e ônibus lotado. Paulo se ajeita como pode. Logo ele percebe que uma menina, de uns 16 anos, se aproxima. Ele sabe que ela é familiar. Ela veste uma blusa branca e um short pelas coxas. A menina é linda, e ele acredita que a conhece de algum lugar.

Ela olha para Paulo, e sorri. Ela decide se aproximar.

– Oi Paulo, quanto tempo! – diz a menina.

Paulo sorri, meio sem jeito.

– Lembra de mim? – pergunta a garota – Sou a Cris, irmã do Dudu, lá da praia.

Paulo lembra dela, mas fazia uns cinco anos que ele não ia para a antiga casa de praia de sua avó.

– Ah, sim! Tudo bem Cris? Mas tu cresceste hein? lembro de ti brincando com baldinho e pá na beira do mar.

– É, as crianças crescem – diz Cris, com um sorriso safado.

Paulo fica sem jeito, mesmo assim continua a conversa.

– E aí, o que anda fazendo da vida?

– Ah, tô no colégio ainda, mas termino logo. Tô em dúvida, não sei se faço psicologia ou enfermagem. Mas quem sabe ache um gatinho rico para me sustentar? – ri Cris.

Neste momento, uma senhora gorda, cheia de sacolas e mal educada passa no corredor. Ela empurra Paulo, que acaba pressionando seu corpo contra o de Cris. Ele sente as curvas do corpo da garota. Ele percebe que ela o olha com um olhar assanhado.

– Bem, chegou a minha parada – fala meio sem jeito Paulo – manda um abraço para toda a família.

– Beijos, e vê se aparece – responde Cris, mantendo o sorriso no rosto.

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2 pensamentos sobre “INCONSEQUENTE – CAPÍTULO 1

  1. Gostei do teu blog, achei com bastante conteúdo. Mas fiquei chateada, não sabia que eu não era tua amiga 😦

  2. Adorei o primeiro capítulo e confesso estar curiosa p/ os próximos.
    Beijo!

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