PREMIAÇÕES JORNALÍSTICAS


Antes que alguém diga que é choro de perdedor, não é não… Tá, pode até ser, mas no final vocês vão concordar comigo. Eu cheguei à final de um dos prêmios mais importantes do jornalismo gaúcho. Foi super importante para a carreira e para meu filme dentro da empresa.

A minha matéria trazia algo positivo: exemplos de jovens bem sucedidos no campo. Algo extremamente relevante para a sociedade. No momento em que este jovem tem possibilidade de permanecer no campo, acaba-se com o êxodo rural e por fim evita os bolsões de pobreza na cidade grande.

Mas como os nossos patriarcas da imprensa gostam dos títulos violência, tragédia e sensacionalismo, é óbvio que este tipo de assunto não tem chance nenhuma. Antes mesmo fui dar uma verificada nos vencedores de outros anos e era só torce e sai sangue, sensacionalismo barato e por aí vai. E não deu outra desta vez…

Me lembro de uma vez que ia entrevistar um presidiário e depois de me aconselhar com vários jornalistas todos foram unânimes em que não se dá voz para bandido. Mas a representação máxima do jornalismo gaúcho parece que discorda e premia este tipo de coisa… Enfim, tudo bem. como dizia um amigo meu: “Critérios são critérios e promessas também”.

Bom, já vi que para ganhar vou ter que fazer denúncia ilegal de abate clandestino de gado ou colocar famílias que perderam toda a lavoura chorando no ar. Mas se tiver que apelar, prefiro ficar com o melhor prêmio de todos: ajudar a sociedade a se desenvolver e crescer com boas idéias e exemplos positivos.

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2 pensamentos sobre “PREMIAÇÕES JORNALÍSTICAS

  1. É isso ai, cara… tudo na vida tem o seu preço, e ganhar o tal prêmio talvez tenha custado a consciência tranqüila de muitos coleguinhas. Você ficou sem a premiação, mas continua conseguindo colocar a cabeça em paz no travesseiro toda noite… e, como diria a Mastercard, isso não tem preço.

  2. Meu caro,
    Antes de mais nada, parabéns por ter chegado à final do prêmio ARI de jornalismo.
    Dito isso, passo a comentar o teu comentário (com o perdão da redundância) a respeito do resultado final.

    Em primeiro lugar, acredito que realmente seja choro de perdedor. A menos que você acredite que fosse o único em condições de vencer. O único que produziu um trabalho digno de premiação, durante o ano todo, no Rio grande do Sul.

    Bem, mas a teu comentário vai muito além. Ao utilizar o lugar-comum “torce e sai sangue”, mostra-se, acima de tudo, um preconceituoso. E todo e qualquer preconceito é digno de reprovação e abominação.

    Esse preconceito fica claramente demonstrado no teu comentário, do tipo “não li e não gostei”. Afinal, se o tema é polícia, se o tema é presídio, pelo o que se nota, te causa náuseas. Até aí, tudo bem. O problema é tecer comentários a respeito do que se desconhece e não se quer conhecer.

    Preconceito esse demonstrado quando diz que enquanto tu falas que tuas matérias são extremamente relevantes para a sociedade. Até aí, tudo bem. O problema é não reconhecer que outros temas são igualmente relevantes.

    Tu achas extramamente relevante um tema sobre jovens bem-sucedidos no campo. Está correto. Mas mostra-se extremamente elitista e preconceituoso ao desprezar os jovens que, pelos problemas sociais do país, não ficaram no campo e acabaram migrando para a vida do crime nas grandes cidades.

    O raper MV Bill, em entrevista à revista Caros Amigos, disse algo que considero importante: a sociedade precisa ouvir os bandidos. É bem ao contrário do que teus mestres conselheiros disseram: “não se dá voz para bandido.”
    Ouvir bandido é uma coisa. Dar voz a eles, é outra. Em nenhum momento, nas reportagens que tu criticastes sem ler, foi idolatrado qualquer bandido. Pelo contrário, mostrou-se que o crime é uma conseqüência da sociedade preconceituosa e elitista, e que os jovens que entram nessa vida de crime, fatalmente, acabam tendo uma morte precoce.
    Sinceramente, dentro da realidade em que vivemos, acredito que a História da Falange Gaúcha fez um trabalho bem mais relevante para a sociedade do que os teus jovens bem-sucedidos.
    Lógico que, para os cinéfilos, bons-vivants, apreciadores de bares, de mulheres bonitas, cerveja, vinho, de Rocks Clássicos, MPB, Jazz e Música Eletrônica, esse assunto parece balela. Porém, se um dia descessem um pouco do pódio da arrogância e tentassem vislumbrar, ainda que de longe, a realidade dos jovens da periferia, massacrados pela falta de oportunidade para se tonarem cidadãos comuns (do que dirá para serem “bem-sucedidos”) verás que não são só teus temas que merecem ser premiados. Descobrirá também que entre personagens do mundo contemporâneo existem os “abusados” da vida, cuja biografia foi escrita com maestria por Caco Barcellos.
    Abraços
    Renato

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